quinta-feira, 31 de maio de 2007

PRIMEIRO ATO

"Use a minha foto, se ajudar"
disse esta mãe no Hospital de Crianças de Islambad.


Foto: UNICEF

"Um bebê morre a cada 30 segundos por causa de uma alimentação artificial nao segura. "

A foto acima ilustra a ocorrencia de uma das fatalidades que ocorrem por causa de uma alimentação com mamadeira mal dada.

Os bebês são gêmeos: o bebê com a mamadeira é menina - ela morreu um dia depois de ter tirado esta foto - mas o irmão dela foi amamentado e sobreviveu. Disseram para a mãe que ela não teria leite suficiente para amamentar os dois filhos, logo ela amamentou o filho e alimentou a filha com mamadeira. Mas é provável que ela conseguisse amamentar os dois, visto que quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz"

fonte: IBFAN

LUTO DA MATRICE
Neste mês de Maio sofremos uma perda. Mais uma vez os interesses, não tão obscuros mas nocivos, da industria do leite sobrepuseram ao interesse da coletividade. Como? Inovaram o mundo jurídico com a Lei nº 11.474, de 2007. O que essa lei faz? O abrandamento dos avisos nas embalagens destes produtos, mostram a tendência da total banalização do aleitamento materno, e o fortalecimento da industria de LEITE!!! Ficando claro que a retirada do rótulo só não se deu porque o nosso querido Código do Consumidor proibe a não informação/alerta!!

Perigo das entrelinhas
por Sabrina Feldman

A medida provisória 350, hoje LEI Nº 11.474, DE 15 DE MAIO DE 2007 , que trata do Programa de Arrendamento Residencial, reserva uma surpresa àqueles que se dispuserem a lê-lo integralmente. É que deputados ligados a produtores de leite conseguiram "escamotear" um artigo que trata de mudanças nas embalagens de leite. Pela lei antiga, LEI Nº 11.265, DE 3 DE JANEIRO DE 2006, os rótulos das embalagens de leite e de bebidas lácteas deveriam trazer uma advertência do Ministério conforme o tipo de produto: "O Ministério da Saúde informa: o aleitamento materno evita infecções e alergias e é recomendado até os 2 (dois) anos de idade ou mais" ou "O Ministério da Saúde informa: após os 6 (seis) meses de idade continue amamentando seu filho e ofereça novos alimentos".

O artigo "plantado" da Lei prevê que as advertências do ministério sejam substituídas por um simples aviso e em local menos visível. Em vez de "o Ministério da Saúde adverte" constaria "aviso importante".
Os deputados concluíram a votação da MP na sessão na quinta-feira, 19 de maio, derrubando as emendas feitas pelos senadores à proposta, que vetava a inclusão do artigo. A medida seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido PSOL anunciou que entrará com mandato de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação da votação na Câmara da medida provisória 350.
Os desdobramentos dessa manobra política são evidentes. Há um esforço desmedido para que os produtores de leite obtenham mais lucro e para que os produtos lácteos destinados às crianças sejam cada vez mais consumidos, contrariando as recomendações sobre o aleitamento materno.
E não é só no Planalto que existem forças a favor dos NANs, NINHOs e por aí vai... Em um carta endereçada à revista Cláudia em 2006, Fernanda Young questiona os benefícios do amamentação e faz uma aberta apologia aos leites artificiais, argumentando que as crianças de hoje em dia são muito "modernas" e que mamar no peito é ultrapassado.
Vale lembrar que inúmeras pesquisas comprovam que a criança amamentada no seio até, pelo menos os primeiros 6 meses de vida e, na melhor das hipóteses, até dois anos ou mais, tem menos risco de adquirir diabetes, pneumonia e otites. Estudos também mostram que as mulheres que amamentam podem ter um risco menor de câncer de mama e ovário. Além disso, o leite materno é grátis, seguro e protege contra infecções.
A IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar - Internacional Baby Food Actions Network), rede que trabalha para a melhoria da nutrição e saúde infantis (http://www.ibfan.org.br/), atua também para sensibilizar as autoridades internacionais (especialmente OMS e UNICEF) e nacionais quanto à implementação do Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno e das Resoluções e ele relacionadas.
Em seu site, a rede faz um alerta assustador: Segundo o UNICEF, "Invertendo o declínio da amamentação, 1,5 milhão de vidas poderiam ser salvas por ano", já que a cada 30 segundos ocorre uma morte infantil desnecessária, vítimas de diarréia, desidratação e má-nutrição, resultado de uma alimentação mal feita com mamadeira. Segundo a IBFAN, a água misturada com leite infantil em pó é, às vezes, perigosa, podendo iniciar infecções que causam diarréia.
Para evitar o aumento descontrolado do consumo de leite aritificial por crianças e bebês, em 1981, a Assembléia Mundial da Saúde adotou o Código Internacional de Mercadização de Substitutos do Leite Materno. A Assembléia é o corpo que determina as políticas da Organização Mundial da Saúde.
O Código Internacional procura proteger todas as mães e todos os bebês contra práticas de mercadização inapropriadas por companhias de leite infantil e produtos ligados a ele. Ele proíbe toda promoção de substitutos do leite materno, mamadeiras e bicos, e procura conseguir que todas as mães recebam informações exatas de profissionais de saúde. Resoluções posteriores da Assembléia Mundial da Saúde clarificam e aumentam o Código Internacional.
A saber, é proibido para Companhias de Alimentos Infantis:
* Fornecer gratuitamente leite infantil aos hospitais;
* Promover os seus produtos ao público ou aos profissionais de saúde;
* Colocar fotos ou desenhos de bebês sobre os rótulos de leite infantil, mamadeiras e bicos;
* Dar brindes ou presentes às mães ou aos profissionais de saúde;
* Dar amostras aos pais; * Promover alimentos infantis e bebidas destinados a bebês abaixo de 6 meses.
* Os rótulos devem ser escritos em um idioma entendido pela mãe e devem incluir um aviso de saúde proeminente.
A IBFAN também possibilita que mães de todo o mundo façam denúncias que contrariem o Código Internacional de Mercadização de Substitutos do Leite Materno.
Para isso, devemos todas ficar atentas quando formos ao supermercado, à farmácia da esquina e até em algum centro de saúde. Para mais informações, acesse: http://www.ibfan.org/site2005/Pages/article.php?iui=5&art_id=305&articulo_id=645

Um abraço, Equipe Matrice
TEXTO DE:
Sabrina Feldman jornalista e lactivista, associada da Matrice

link para informações sobre a MP350:


link para fernanda young

link para página Ibfan de como as maes podem ajudar no monitoramento

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3 Comments:

Blogger Ana Lúcia Keunecke said...

essa foto é muito triste. Cortou meu coração e me fez chorar. Quantos bebês ficam com a saúde afetada porque não são amamentados? Quantas mulheres perdem o direito de amamentar em razão de hospitais que dão NAN ao filho enquanto esperam que amãe se recupere da anestesia da cesárea? Quando a sociedade vai acordar para o fato de que são fantoches de indústrias ao consumirem leite em pó e que só estão destruindo seu filho? Quando as pessoas farão as contas para saberem o quão mais barato é amamentar um bebê? Quando as pessoas compreenderão que um bebê precisa da mãe, do leite materno e que muitas vidas podem ser salvas através desse sagrado líquido??
É frustrante que nossos bebês tenham que atendem à demanda da indústria do leite...
Fiquei muito triste. Estou de luto também! Mais um motivo para lutarmos pelo dirieto da mulher amamentar, pela saúde do bebê.

31 de maio de 2007 às 20:23  
Blogger Simone said...

estou passada e engomada! vou protestar

1 de junho de 2007 às 05:42  
Blogger Unknown said...

Já são tantas as dificuldades que uma mãe enfrenta para poder amamentar com tranquilidade seu filho. Como a falta de informação adequada, a falta de estímulo da sociedade e da família, a pressão pelo uso de leites industrializados...agora mais essa..."danos psicológicos"? Quais seriam os "danos psicológicos" que a amamentação pode causar pelo amor de Deus? Só se forem danos de uma mente pervertida, que olha com olhos "podres" um filho sendo alimentado pela própria mãe que lhe deu a vida e continuando dando a vida pra ele!!!

4 de junho de 2007 às 11:35  

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